Foi necessário uma semana após voltar desse cicloturismo para conseguir assimilar tudo que tinha acontecido naqueles dias. Durante a pedalada, o foco no planejamento de onde dormir, onde comer, o que poderia acontecer, a bicicleta vai resistir, etc. acabaram povoando minha mente (desnecessariamente) desfocando dos momentos de contemplação do trajeto. As palavras que resumem aqueles 5 dias pedalando são: Foram dias épicos!

A Volta das Transições é um circuito criado por diversas prefeituras (10 no total) de cidades no entorno da Serra de Ibitipoca-MG, onde se pode pedalar, caminhar ou cavalgar pela zona rural dessa região. O site do circuito possui bastante informação e pode ser utilizado para o planejamento da viagem. No site também é possível baixar os arquivos .gpx para serem utilizados em GPS. Apesar de existirem placas marcando o caminho nas principais bifurcações, é bastante recomendável levar o GPS pois em alguns pontos as placas foram retiradas ou nunca existiram.

O percurso completo possui aproximadamente 400km e são sugeridos 7 dias para percorre-lo de bicicleta. A divisão entre os 7 trechos foi muito bem pensada pelos idealizadores do circuito, finalizando cada trecho em bons locais para alimentação e pernoite. A depender do condicionamento físico do ciclista, é possível cobrir mais de 1 trecho no mesmo dia, sendo interessante se planejar para não pedalar até o pôr do sol pois sempre pode surgir um imprevisto.

Optei por iniciar o circuito pela cidade de Rio Preto devido à proximidade com o Rio de Janeiro. A cidade é pequena e não possui muitas opções de pousadas. Fiquei numa chamada Pouso Iddeia que foi ideal para poder iniciar a pedalada logo cedo no dia seguinte. Os funcionários e o dono são muito atenciosos e inclusive deixei o carro estacionado na garagem deles durante os 5 dias de cicloturismo.

Saindo de Rio Preto e rumando para a Vila do Funil, é necessário encarar uma subida bastante longa (a maior que peguei durante meu trajeto), mas chegando no alto da serra, o terreno segue ondulado com várias sequencias de pequenas subidas e descidas com belos visuais da Serra da Mantiqueira. Após passar pelo Funil, segui pedalando e passei por Olaria antes de chegar em Lima Duarte onde dormi a primeira noite.

 

No segundo dia pedalei de Lima Duarte até o sítio do Tarcísio, ao lado de Várzea de Santo Antônio, passando por Pedro Teixeira e Bias Fortes. Neste sítio foi onde tive contato com a verdadeira hospitalidade mineira e foi impossível seguir pedalando depois do almoço em fogão a lenha que foi servido. Dormi no próprio sítio do Tarcísio e aproveitando as dicas dele, que conhece cada canto da serra de Ibitipoca, alterei um pouco o roteiro proposto para o próximo dia, seguindo uma rota que contorna o Parque de Ibitipoca bem de perto, chegando em Conceição de Ibitipoca.

 

Como eu não conseguiria completar os 7 trechos da Volta das Transições nos 5 dias que eu tinha disponíveis, essa mudança no roteiro acabou sendo providencial. Aliás, da maneira que a Volta das Transições foi idealizada, sempre é possível “cortar caminho” e se adiantar para a próxima cidade. Neste caso, vai precisar seguir as orientações dos moradores locais para não se perder.

Após passar por Conceição de Ibitipoca por volta das 13h, decidi ir até Souza do Rio Grande que é o próximo ponto de apoio a 38km de distância. Nesse trecho passei por algumas paisagens imperdíveis tais como um grande trecho de plantações de eucalipto, e também uma longa descida com visual magnífico depois do povoado de São Domingos da Bocaina.

Chegando em Souza do Rio Grande, acabei parando pra dormir no João Cambão, personagem icônico da região e dono de uma pousada e restaurante bastante simples no meio da estrada. Não posso recomendar esse local para dormir, mas se for preciso passar uma noite lá, será bem recebido e dará boas risadas com o João Cambão.
No quarto dia saí cedinho no sentido de Bom Jardim de Minas. A neblina me acompanhou em boa parte deste trecho que segue beirando o Rio Grande e permite uma velocidade elevada já que o trajeto possui inclinações brandas.

 

No mesmo dia, continuei pedalando até Santa Rita de Jacutinga. Apesar da altimetria neste trecho ser favorável (Santa Rita está uns 700m mais baixo que Bom Jardim), este trecho me surpreendeu e se mostrou ser um dos mais difíceis, mas tive oportunidade de passar pela maior descida de MTB que já estive e ao lado de uma enorme pirambeira, mas com um belo visual. Assim que termina os 10km de descida, se inicia um single track de aproximadamente 9km pelas margens de um córrego e com algumas pedras na trilha. Acabei tendo um pneu furado (o único da viagem) neste trecho e todo cuidado é pouco com as pontas de pedras no caminho.

 

O último dia de pedal foi apenas pra fechar o circuito de volta em Rio Preto e optei por pedalar os 45km finais pelo asfalto pois não tinha câmara reserva e estava evitando maiores perrengues. Essa última pernada é bem tranquila, tanto pelo asfalto quanto pela terra. Ambas acompanham o rio Preto, cada uma por um lado de sua margem, sendo que a pista de asfalto é novinha, bem ampla e quase não passam carros.

Meu roteiro durou 5 dias e totalizou 301km pedalados. Espero percorre-lo novamente em breve, mas da próxima vez quero estar acompanhado de mais amigos e se possível não carregar o peso da bagagem em alforges. Viajar de maneira autônoma é sempre uma grande aventura, mas qualquer peso extra na bike castiga nas subidas. Algumas agências de turismo de aventura na região de Ibitipoca organizam este tipo de roteiro para grupos e levam as bagagens em carros de apoio. Uma delas é a Sauá Turismo.

Se quiser baixar os arquivos para GPS .gpx da rota que eu fiz, clique aqui.

Bem, é isso aí! Se tiver alguma dúvida ou desejar mais informações sobre a rota, deixe seu comentário no final deste post. Visite também o site da Volta das Transições.

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Até a próxima.

3M \o/

 

 

3 comentários em “Volta das Transições MG

  1. Primeiramente parabéns pelo relato. Ano que vem quero iniciar alguns. Até metade do ano de 2019 quero treinar tanto pedal como caminhada. Meu objetivo é fazer o caminho da fé (seja de bike ou a pé, pelo tempo de bike seria melhor) e este que você compartilhou me deixou muito entusiasmado também. Lindas fotos.

    Estas bags achei um máximo. Você levou barraca? Nestes sítios vc pagou pela estadia?

    Eu já discordo, apesar das dificuldades que imagino ter eu ainda prefiro uma viagem autônoma sem “guias” e esses dogmas espirituais! ksksksksks

    1. Obrigado Felipe. Aos poucos vou incluindo mais relatos das minhas andanças.
      Sobre os alforges, sao da VAUDE, marca alemã muito boa. Eles sao super praticos e 100% impermeaveis.
      Nao levei barraca neste circuito porque queria estar bem leve. Mas certamente a rota permite acampar em vários locais.
      Para dormir nos sitios paguei por volta de 70 reais incluindo a comida e o café da manha. Mas creio que não seja um problema acampar e vão te cobrar bem menos.
      Um grande abraço e boas aventuras!

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